Os acomodados que se incomodem
Cazuza, Ia e Saúde mental
“Eu vou pagar a conta do analista pra nunca mais ter que saber quem eu sou”.
Estamos cansados, exaustos. É uma avalanche de informações, que na maioria das vezes são ruído, barulho mesmo, como um baile funk na rua quando você precisa acordar pra trabalhar às 5h00 da manhã.
O baile funk pode não dizer nada pra você, mas o trio elétrico ou obra na porta da sua casa de madrugada, sim. Analogias diferentes para contextos diferentes.
A melhor parte é que não temos todos as mesmas referências, isso é a multiplicidade dentro dos acontecimentos.
Então, se a gente pudesse escolher mais, fazer com que essa quantidade de barulho virasse nosso show preferido, onde pudéssemos ouvir nossas músicas preferidas, mas também conhecer pessoas diferentes, com realidades das mais diversas ou tomar um drink novo, começar um novo hobby, escolher um novo esporte, descobrir um lugar inesperado?
Conexões são esse movimento. São oportunidades de olhar por outro ângulo, relacionar a partir de outro ponto, viver aquela experiência de maneiras diferentes.
E o que o Cazuza tem a ver com isso? Chegaremos lá.
Quando eu era uma adolescente quase adulta, e as férias eram eternas e intensas, que delícia (!), caseiro da casa ao lado tinha um galo que cantava às 3 da manhã, impreterivelmente. A gente achava graça, chorava de rir se alguém acordava assustada com os gritos.
Corta para a vida adulta, alguns anos depois. Voltei pra essa mesma casa, e ao lado ainda vivia esse galo meio insone, e, adivinha, ele continuava cantando às 3 da manhã. Impreterivelmente.

Mas, como na vida tem bastante “mas”, quando voltei para aquele lugar cheio de lembranças, uma amiga estava com um bebê, que acordava assustadíssimo com o tal galo. E o que era divertido, virou incômodo.
Contexto explica tudo!
Pontos de vista, fases da vida, se você está mais perto ou mais longe de certa situação, quem são os envolvidos, como chegamos até ali… e as variáveis seguem quase infinitamente.
O que é barulho pra uns, é diversão para outros.
O que é só informação pra uns, pode ser repertório para outros.
Para isso precisamos de contexto.
1 Conjunto de circunstâncias inter-relacionadas de cuja tessitura se depreende determinado fato ou situação; circunstância(s), conjuntura, situação.
2 Conjunto de circunstâncias que envolvem um fato e são imprescindíveis para o entendimento deste.
Se o Cazuza disse, lá em 1988, que era melhor “pagar a conta do analista pra nunca mais ter que saber quem eu sou”, ele já estava falando da nossa relação com a saúde mental. Porque se tudo que acreditamos começa a ruir, a sensação de angústia é condição sine qua non, ninguém vai passar incólome.
A IA é uma revolução, e ninguém passa por uma revolução sem ser minimamente afetado. Fazer parte de um mundo globalizado e veloz, ainda acrescenta a sensação de que estamos para trás, perdemos o bonde.
Desafios são oportunidades, já diziam os gurus do Design Thinking. O futuro do trabalho é incerto e já sabemos que muitas das profissões do “futuro” ainda não existem e isso deve ser visto como oportunidade.
Em terra de IA Generativa e Agêntica, senso crítico é o novo petróleo.
Os acomodados que se incomodem, porque temos tempo, mas ele corre em outro ritmo, mais no estilo “Velozes e furiosos”.
Vamos fugir de lugares comuns e ampliar nossas referências. Estamos todos buscando entender como seguirmos “necessários”, muita gente inclusive já desistiu de ser relevante. É urgente ser mais interessado para ser interessante e assim, quem sabe, descobrir que o que você sabe pode ser muito valioso em outros e novos mercados.



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